A GREVE*
(UNESP e CERCANIAS)
A Greve esmagará os arrogantes, os despeitados, os grileiros da universidade.
A Greve acabará com todas as neuras, picuinhas, namoricos e escorbutos.
A Greve dará um jeito na vida de doentes, docentes, discentes, dementes e ausentes, promoverá a ressurreição do Corpo.
A Greve é a grande alavanca epistemológica.
A Greve é o trunfo das nossas bibliografias, a dedicatória das nossas dissertações.
A Greve é uma nota de rodapé.
A Greve é a grande licença poética da revolução.
A Greve deixará todo mundo de cara.
A Greve, no fundo, é chaparral e curral e coxo.
A Greve, como invenção, é maior que a roda quadrada.
A Greve serve de digestivo, sonífero, antisséptico.
A Greve é o estomago, o veneno, o anídoto.
A Greve é uma imensa maquina de lavar a calçada dos poderosos.
A Greve é a grande biblioteca dos povos.
A Greve é um dever-de-casa-tamanho-família.
A Greve é o eterno playground dos perversos, o calvário dos neuróticos.
A Greve é o grande estereótipo da Classe, antitabu por excelência.
A Greve, a Grande Greve, é homeopática.
A Greve é o papel carbono da burocracia!
A Greve é um pedágio de ninguém, invenção divina, paralisação geral após sete dias.
A Greve é o diabo!
A Greve é, pasmem, materialista, racional.
A Greve é um encosto.
A Greve inaugurou o mal necessário.
A Greve é estresse, sombra e água mesma.
A Greve é profissão de fé da dialética.
A Greve é uma rede cheia de espinhos, a tal penitência da bem-aventurança!
*nota: créditos ao poeta Jean C. PORTELA; texto produzido em 1996 mas atualíssimo todavia!